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ISSN (Impressa): 2359-4802 | ISSN (Online): 2359-5647




IJCS - International Journal of Cardiovascular Sciences
Edição: 30.6 - 13 Artigos



EDITORIAL

Novas Metas de Colesterol da Diretriz de Dislipidemia da SBC
New Cholesterol Targets of SBC Guidelines on Dyslipidemia

Maria Eliane Campos Magalhães
International Journal of Cardiovascular Sciences. 2017;30(6)466-468

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ARTIGOS ORIGINAIS

O NT-ProBNP da Admissão Versus da Alta como Preditor Prognóstico na Insuficiência Cardíaca Agudamente Descompensada
NT-ProBNP at Admission Versus NT-ProBNP at Discharge as a Prognostic Predictor in Acute Decompensated Heart Failure

Janine Magalhães, Fábio Soares, Marcia Maria Noya-Rabelo, Gabriel Neimann, Lucas Andrade, Luis Correia
International Journal of Cardiovascular Sciences. 2017;30(6)469-475

+   Resumo  
Fundamento: Pacientes internados por insuficiência cardíaca (IC) descompensada recebem intensa terapia diurética e vasodilatadora nos primeiros dias, conduta normalmente bem-sucedida na compensação do quadro, permitindo alta hospitalar. No entanto, é comum a recorrência de agravamento nas primeiras semanas após a alta.
Objetivo: Avaliar se o principal preditor de recorrência de desfechos em pacientes com IC é o grau de descompensação na admissão ou o estado volêmico obtido após controle clínico.
Métodos: coorte prospectiva de pacientes admitidos entre janeiro de 2013 e outubro de 2014, com diagnóstico de IC agudamente descompensada, acompanhados até 60 dias após a alta hospitalar. O critério de inclusão foi aumento da dosagem plasmática do NT-proBNP (> 450 pg/mL para pacientes abaixo de 50 anos ou NT-proBNP > 900 pg/mL para pacientes acima de 50 anos). O desfecho primário foi a combinação de óbito cardiovascular após compensação e reinternação por IC descompensada em 60 dias.
Resultados: Foram estudados 90 pacientes, com mediana do NT-proBNP da admissão 3947 pg/mL (IIQ = 2370 pg/mL a 7000 pg/mL), mediana da variação absoluta do NT-proBNP de -1533 pg/mL (IIQ = -3569 pg/mL a 747 pg/mL), e mediana do NT-proBNP da alta de 1946 pg/mL (IIQ = 1000 pg/mL a 3781 pg/mL). A incidência do desfecho combinado foi de 30%, sendo 12,2% de óbitos e 20% de readmissão. A curva ROC do NT-proBNP da admissão e eventos cardiovasculares em 60 dias apresentou uma área sob a curva de 0,49 (p = 0,89; IC 95% = 0,36 – 0,62). A variação absoluta do NT-proBNP apresentou área sob a curva de 0,65 (p = 0,04; IC 95% = 0,51 – 0,79) para eventos em 60 dias, e o NT-proBNP da alta apresentou área sob a curva de 0,69 (p = 0,03; IC 95% = 0,58 – 0,80). Em análise multivariada, NT-proBNP que precedeu a alta foi preditor do desfecho primário, independente do valor mensurado na admissão e de outros fatores de risco.
Conclusão: Diferente do grau de descompensação que motivou a internação, o estado volêmico obtido após compensação da IC se associa a eventos recorrentes. Este achado sugere que, independentemente da gravidade inicial, é a resposta ao tratamento durante o internamento que determina a vulnerabilidade do paciente para nova descompensação. (Int J Cardiovasc Sci. 2017;30(6)469-475)

Palavras-chave: Insuficiência Cardíaca / terapia, Insuficiência Cardíaca / mortalidade, Disfunção Ventricular, Peptídeos Natriuréticos, Hospitalização.

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Óleo de Cártamo (Carthamus tinctorius) Aumenta os Níveis de Colesterol Total e LDL‑Colesterol em Modelo Experimental de Síndrome Metabólica
Safflower Oil (Carthamus tinctorius L.) Intake Increases Total Cholesterol and LDL-cholesterol Levels in an Experimental Model of Metabolic Syndrome

Lidiani Figueiredo Santana, Thaisa da Silva Dutra, Marcos Alexandre de Souza, Karine de Cássia Freitas, Silvia Aparecida Oesterreich, Cândida Aparecida Leite Kassuya, Fabíola Lacerda Pires Soares
International Journal of Cardiovascular Sciences. 2017;30(6)476-483

+   Resumo  
Fundamentos: O excesso de peso vem sendo considerado um importante problema de saúde pública. Na tentativa de reverter esse quadro, são propostos diversos tipos de tratamento. O óleo de cártamo (Carthamus tinctorius) vem sendo utilizado na prevenção/tratamento da obesidade.
Objetivos: O objetivo deste trabalho foi avaliar os efeitos terapêuticos desse óleo em um modelo experimental de síndrome metabólica.
Métodos: Inicialmente foram utilizados ratos Wistar alimentados com dieta altamente palatável (AP) por dez semanas. Após, os animais receberam a dieta AP com suplementação de óleo de soja (APOS) ou óleo de cártamo (APOC), na dosagem 1,0 ml/1000 g de peso do animal. No final do experimento, a composição corporal, o perfil lipídico e glicemia dos animais foram avaliados. Para a análise estatística, utilizou-se o teste t de Student.
Resultados: Na primeira fase (indução da síndrome metabólica), os animais que receberam a dieta AP mostraram ganho de peso (p < 0,001), adiposidade visceral (p = 0,001), glicemia (p = 0,001) e triglicerídeos séricos (p = 0,03) significativamente mais elevados do que aqueles do grupo controle. Além disso, houve uma diferença no peso do fígado (p = 0,01). Esses resultados demonstram que a administração de dieta AP é um modelo eficaz para o estudo experimental da síndrome metabólica. Na segunda etapa, os animais do grupo APOC mostraram aumento de colesterol total (p < 0,05) e de LDL-colesterol (p < 0,001).
Conclusão: Sob as condições experimentais referidas, conclui-se que a utilização de óleo de cártamo pode causar efeitos deletérios sobre o perfil lipídico em um modelo experimental de síndrome metabólica. (Int J Cardiovasc Sci. 2017;30(6)476-483)

Palavras-chave: Óleos, Carthamus, Colesterol, Síndrome Metabólica, Dislipidemias, Obesidade / controle & prevenção.

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Um Protocolo mais Simples de Eletroestimulação Neuromuscular Periférica Melhora a Capacidade Funcional de Pacientes com Insuficiência Cardíaca Grave
A Simpler and Shorter Neuromuscular Electrical Stimulation Protocol Improves Functional Status and Modulates Inflammatory Profile in Patients with End-Stage Congestive Heart Failure

Maria Carolina Basso Sacilotto, Carlos Fernando Ramos Lavagnoli, Lindemberg Mota Silveira-Filho, Karlos Alexandre de Souza Vilarinho, Elaine Soraya Barbosa de Oliveira, Daniela Diógenes de Carvalho, Pedro Paulo Martins de Oliveira, Otávio Rizzi Coelho-Filho, Orlando Petrucci Junior
International Journal of Cardiovascular Sciences. 2017;30(6)484-495

+   Resumo  
Fundamento: Estimulação elétrica neuromuscular (EENM) utilizando protocolo de estimulação por 5 dias/semana durante 8 semanas tem sido usada como opção de tratamento para pacientes com insuficiência cardíaca congestiva (ICC) incapazes de tolerar exercícios aeróbicos.
Objetivo: Nós avaliamos o impacto de um protocolo de EENM mais curto, utilizando uma corrente russa (CR) sobre a capacidade funcional, qualidade de vida (QV) e perfil inflamatório de pacientes com ICC em estágio final.
Métodos: Vinte e oito pacientes com ICC grave (53 ± 11 anos) foram randomizados em grupo tratamento (EENM) e grupo placebo. O grupo EENM foi submetido a tratamento com CR aplicada por 50 minutos no quadríceps, bilateralmente, duas vezes por semana, por 7 semanas. No grupo EENM a estimulação foi aplicada promovendo contração muscular visível e para o grupo placebo a aplicação da corrente não promoveu contração muscular. A distância no teste de caminhada de 6 minutos (TC6) e a pontuação de QV pelo Questionário Minnesota Living with Cardiac Insufficiency foram avaliadas antes, imediatamente após e um mês após a conclusão do protocolo aplicado. Os leucócitos periféricos foram obtidos para medir os níveis de expressão gênica de citocinas inflamatórias.
Resultados: O grupo EENM apresentou aumento na distância percorrida no TC6 (324 ± 117 vs 445 ± 100 m; p = 0,02) e QV (64 ± 22 versus 45 ± 17; p < 0,01) imediatamente após o programa de tratamento, mas não um mês após a conclusão do protocolo. Assim como, o aumento nos níveis de expressão de IL-1β, IL-6 e IL-8 após a conclusão do protocolo.
Conclusão: O uso da EENM aplicada duas vezes por semana melhora a qualidade de vida e a capacidade funcional de pacientes com IC grave. Esta melhora clínica foi acompanhada pelo aumento da expressão gênica de algumas citocinas nos leucócitos periféricos. Este protocolo mais curto de EENM é capaz de produzir efeitos clínicos benéficos semelhantes a protocolos mais intensos e longos, bem como modular a resposta inflamatória. Este protocolo pode ser uma boa alternativa para pacientes com ICC grave e limitações na adesão ao protocolo.(Int J Cardiovasc Sci. 2017;30(6)484-495)

Palavras-chave: Insuficiência Cardíaca, Tolerância ao Exercício, Terapia por Estimulação Elétrica / efeitos adversos, Exercício, Reabilitação, Transplante de Coração.

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Pacientes Cirróticos com Escore Child-Pugh C Apresentam Intervalos QT mais Longos
Cirrhotic Patients with Child-Pugh C Have Longer QT Intervals

Pedro Gemal Lanzieri, Ronaldo Altenburg Gismondi, Matheus de Castro Abi-Ramia Chimelli, Raíssa Pereira Cysne, Thais Guaraná, Cláudio Tinoco Mesquita, Luís Otávio Mocarzel
International Journal of Cardiovascular Sciences. 2017;30(6)496-503

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Fundamento e objetivos: A cardiomiopatia cirrótica tem sido usada para descrever a disfunção cardíaca crônica em pacientes cirróticos sem doença cardíaca estrutural prévia. Além disso, o prolongamento do intervalo QT é uma das alterações cardíacas mais importantes relacionadas à cirrose. Estudos prévios sugerem que o prolongamento QT está associado com uma taxa de mortalidade mais alta em pacientes cirróticos. O objetivo deste estudo foi analisar intervalos QTs segundo a gravidade da cirrose, medida pela classificação Child-Plugh.
Materiais e métodos: Em um estudo transversal, um total de 67 pacientes com cirrose não alcoólica submeteu-se à avaliação clínica e eletrocardiográfica. A gravidade da cirrose foi classificada de acordo com o escore Child-Pugh. O intervalo QT foi medido por um eletrocardiograma de 12 derivações.
Resultados: Os intervalos QTs foram mais longos em pacientes no grupo Child-Plugh C que nos grupos Child‑Pugh A e B (459 ± 33 vs 436 ± 25 e 428 ± 34 ms, respectivamente, p = 0,004). Houve uma correlação positiva entre o intervalo QT e o escore Child-Pugh em indivíduos com escore Child-Pugh ≥ 7 (r = 0,50; p < 0,05) e intervalos QT ≥ 440 ms (r = 0,46, p < 0,05).
Conclusão: O presente estudo mostrou que pacientes com cirrose Child-Plugh C apresentam intervalos QTs mais longos, o que reforçou a relação entre a gravidade da cirrose e achados eletrocardiográficos da cardiomiopatia cirrótica. Além disso, esse resultado foi encontrado em pacientes sem sintomas cardíacos, o que destacou a importância de um método simples e não invasivo, como o eletrocardiograma, para identificar pacientes cirróticos com cardiomiopatia. (Int J Cardiovasc Sci. 2017;30(6)496-503)

Palavras-chave: Cardiomiopatias, Cirrose Hepática / mortalidade, Síndrome do QT Longo, Eletrocardiografia / métodos.

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Preditores da Indicação de Coronariografia Pós-Cintilografia Miocárdica de Perfusão
Predictors for Indication to Catheterization after Myocardial Perfusion Gated Spect

Fernanda de Oliveira Mesquita, Larissa Andrade, Lívia Pitta, Andrea Rocha de Lorenzo, Ronaldo de Souza Leão Lima
International Journal of Cardiovascular Sciences. 2017;30(6)504-509

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Fundamentos: Pacientes coronariopatas portadores de disfunção ventricular esquerda apresentam maior mortalidade e por isso são os maiores beneficiados de procedimento de revascularização miocárdica. Estudo anterior demonstrou que a fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) é um determinante negativo para realização de cateterismo cardíaco (CAT) após a realização de cintilografia miocárdica de perfusão (CMP).
Objetivo: Determinar os fatores clínicos e cintilográficos associados à indicação de cateterismo cardíaco em pacientes submetidos a CMP. População: Pacientes consecutivamente submetidos a CMP no período de março de 2008 a dezembro de 2012.
Metodologia: Todos os pacientes submetidos a CMP durante o estudo foram cadastrados num banco de dados, onde foram registrados os dados epidemiológicos, clínicos e cintilográficos (escores de perfusão e FEVE). Pacientes ou seus médicos assistentes foram contatados semestralmente por telefone para acompanhamento. Para análise estatística, foram realizadas análise univariada e selecionadas as variáveis para a inclusão em um modelo de regressão logística.
Resultados: Foram submetidos a CMP 5536 pacientes, dos quais 643 realizaram CAT após o exame. Este grupo apresenta maior prevalência do sexo masculino, hipertensos, dislipidêmicos e revascularizados previamente. Os pacientes submetidos ao CAT têm angina com mais frequência, escores de isquemia mais extensos e menor FEVE. Apenas a presença de angina (IC 95% 1,2 - 1,7; p < 0,001) e a extensão de isquemia (IC 95% 1,2 - 1,3; p < 0,001) se mostraram variáveis independentes para indicação de CAT.
Conclusão: A presença de angina e a extensão de isquemia foram os principais preditores para indicação de CAT pós-CMP enquanto a FEVE menor não foi um preditor independente. (Int J Cardiovasc Sci. 2017;30(6)504-509)

Palavras-chave: Doença da Arteria Coronariana, Disfunção Ventricular Esquerda/mortalidade, Cateterismo Cardíaco, Miocárdio/diagnóstico por imagem.

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Avaliação da Medida Central da Pressão e Rigidez Arterial em Participantes de Caminhada de Longa Distância
Assessment of Central Blood Pressure and Arterial Stiffness in Practicing Long-Distance Walking Race

Edison Nunes Pereira, Priscila Valverde de Oliveira Vitorino, Weimar Kunz Sebba Barroso de Souza, Mariana Cardoso Pinheiro, Ana Luiza Lima Sousa, Paulo Cesar Brandão Veiga Jardim, Jeeziane Marcelino Rezende, Antonio Coca
International Journal of Cardiovascular Sciences. 2017;30(6)510-516

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Fundamento: A Caminhada Ecológica que ocorre anualmente no Brasil, é um evento único por sua distância (310 Km) e dinâmica de realização (média de 62 km/dia por 5 dias, com ritmo médio de 7,6 km/h). Embora os efeitos benéficos de exercícios de intensidade moderada sejam bem conhecidos, os efeitos do exercício intenso e de longa duração ainda requerem estudo.
Objetivo: Avaliar os efeitos da modalidade mista caminhada/corrida em vários parâmetros de pressão arterial (PA) 30 dias antes (A0) do evento, e ao final dos dias 2 (A2), 3 (A3) e 4 (A4) da caminhada.
Métodos: Foram medidas PA sistólica e diastólica central (cPAS e cPAD, respectivamente), PA sistólica e diastólica periférica (pPAS e pPAD, respectivamente), pressão de pulso central (cPP), pressão de pulso periférica (pPP), pressão de pulso amplificada (aPP), augmentation index ajustado (AIx75%) e velocidade da onda de pulso (VOP) com Mobil-O-Graph® (IEM, Stolberg, Alemanha) em 25 atletas do sexo masculino (idade média, 45,3 ± 9,1 anos). Foi considerado significativo valor de p < 0,05.
Resultados: Houve redução de cPAS de A0 para A2 (109,5 para 118,1 mmHg) e de A0 para A3 (109,5 para 102,5 mmHg); redução de pPP de A0 para A2 (49,2 para 38,2 mmHg) e de A0 para A4 (49,2 para 41,2 mmHg); redução de aPP de A0 para A1 (15,6 para 9,5 mmHg), de A0 para A2 (15,6 para 8,0 mmHg) e de A0 para A3 (15,6 para 11,2 mmHg). VOP correlacionou-se com idade.
Conclusões: A PA caiu nos primeiros dias da caminhada de longa distância, retornando a níveis próximos aos basais no final, e a VOP correlacionou-se fortemente com idade. Esse tipo de exercício promove efeitos na PA e na VOP similares aos vistos em esportes de longa duração e alta intensidade. Tais mudanças em indivíduos saudáveis e treinados não parecem aumentar os riscos cardiovasculares. Este foi o primeiro estudo a avaliar os efeitos desse tipo de exercício no sistema cardiovascular. (Int J Cardiovasc Sci. 2017;30(6)510-516)

Palavras-chave: Hipertensão, Pressão Arterial, Rigidez Vascular, Exercício, Caminhada, Análise de Onda de Pulso.

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Uso do Escore HAS-BLED em um Ambulatório de Anticoagulação de um Hospital Terciário
Use of HAS-BLED Score in an Anticoagulation Outpatient Clinic of a Tertiary Hospital

Rafael Coimbra Ferreira Beltrame, Franciele Taís Bandeira Giasson, André Luís Ferreira Azeredo da Silva, Bruna Sessim Gomes, Luís Carlos Amon, Marina Bergamini Blaya, Rafael Selbach Scheffel, Fernando Pivatto Júnior
International Journal of Cardiovascular Sciences. 2017;30(6)517-525

+   Resumo  
Fundamento: O escore HAS-BLED foi desenvolvido para avaliar o risco em um ano de sangramento maior em pacientes com fibrilação atrial (FA) anticoagulados com antagonistas da vitamina K (AVK).
Objetivo: O objetivo deste estudo foi avaliar a capacidade do escore HAS-BLED e de seus componentes em predizer sangramento maior em pacientes atendidos em um ambulatório de anticoagulação de um hospital terciário.
Métodos: Foi realizado um estudo coorte retrospectivo com pacientes com FA tratados com AVK. Análise de regressão logística foi realizada para avaliar a capacidade de cada componente do escore em predizer sangramento maior. O nível de significância adotado em todos os testes foi de 5%.
Resultados: Foram estudados 263 pacientes com média de idade de 71,1 ± 10,5 anos ao longo de um período de tratamento de 237,6 pacientes-ano. A mediana do escore HAS-BLED foi de 2 (1-3). A incidência de sangramento maior foi de 5,7%, sendo mais elevada nos pacientes de alto risco que nos pacientes de baixo risco (9,6 vs. 3,1%; p = 0,052). A área sob a curva ROC foi de 0,70 (p = 0,01). Um ponto de corte ≥ 3 mostrou sensibilidade de 66,7%, especificidade de 62,1%, valor preditivo positivo de 9,6% e valor preditivo negativo de 96,9%. Sobrevida livre de sangramento maior foi menor no grupo de alto risco (p = 0,017). Na análise multivariada, o único preditor independente de sangramento maior entre os componentes do escore foi o uso concomitante de antiplaquetários (OR 5,13, IC95%: 1,55-17,0; p = 0,007).
Conclusão: O escore HAS-BLED foi capaz de prever sangramento maior na população de pacientes com FA estudada. Entre os componentes do escore, atenção especial deve ser dada para o uso concomitante de antiplaquetários, que mostrou associação independente. Em pacientes com FA em uso de AVK como terapia anticoagulante, o uso de antiplaquetários deve ser realizado somente naqueles pacientes com avaliação risco‑benefício favorável. (Int J Cardiovasc Sci. 2017;30(6)517-525)

Palavras-chave: Fibrilação Atrial; Hemorragia; Ambulatório Hospitalar.

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ARTIGOS DE REVISÃO

Performance dos Testes Diagnósticos na Probabilidade Intermediária de Doença Coronariana: Uma Análise para Auxílio à Tomada de Decisão
Performance of Diagnostic Tests for Intermediate Probabilities of Coronary Heart Disease: A Decision Making Analysis

Clarissa Antunes Thiers, João Luis Barbosa, Bernardo Rangel Tura, Edilson Fernandes Arruda, Basilio de Bragança Pereira
International Journal of Cardiovascular Sciences. 2017;30(6)526-532

+   Resumo  
Pacientes com probabilidade intermediária de doença coronariana são um desafio diagnóstico e é justamente nessa população onde o grau de incerteza é maior que os testes diagnósticos têm sua maior aplicabilidade. Entretanto, de acordo com a definição vigente, submeter uma população com probabilidade de doença entre 10 e 90% pode gerar exames desnecessários e resultados equivocados. Conhecer as características de cada teste, assim como riscos e benefícios do tratamento medicamentoso para doença coronariana e conjugar essas informações através dos limiares de diagnóstico trazem uma nova perspectiva à tomada de decisão. Revisar a origem dos conceitos atualmente preconizados de probabilidade intermediária e determinar os limiares de diagnóstico e tratamento dos testes não invasivos e, com base neles, propor um novo conceito de probabilidade intermediária de doença coronariana. Através da revisão bibliográfica foram extraídas metanálises nas quais dados de sensibilidade, especificidade, razão de verossimilhança positiva e negativa, riscos e benefícios dos testes e tratamento foram fornecidos. Utilizando-se algoritmo desenvolvido por Pauker e colaboradores foi possível obter os limiares de diagnóstico e tratamento ajustados para cada exame em questão. O conceito de probabilidade intermediária de doença coronariana é bastante amplo, variando, conforme os autores, entre 10 e 90%, 1 e 92%, 15 e 85%, com racionalidade distinta. Contemplando‑se o poder discriminatório de cada exame, riscos dos testes, riscos e benefícios do tratamento, os limiares de diagnóstico e tratamento foram definidos para teste ergométrico (22-58%), eco-stress (10-72), cintilografia miocárdica (12-80%), ressonância nuclear magnética (16-80%) e angiotomografia de coronárias (6,7-81%). A decisão quanto à submissão aos testes diagnósticos deve ser individualizada, levando-se em consideração os limiares de diagnóstico e tratamento de cada método em questão.

Palavras-chave: Doença da Artéria Coronariana, Probabilidade, Tomada de Decisão Clínica, Diagnóstico, Metanalise.

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Uso do 123I-mIBG Cardíaco na Rotina Clínica: A Necessidade de Padronizar!
The use of Cardiac 123I-mIBG Scintigraphy in Clinical Practice: The Necessity to Standardize!

Euclides Timóteo da Rocha, Wilson Eduardo Furlan Matos Alves, Derk O. Verschure e Hein J Verberne
International Journal of Cardiovascular Sciences. 2017;30(6)533-541

+   Resumo  
A avaliação da atividade adrenérgica cardíaca através de exames de imagem apresenta grande potencial em uma ampla variedade de aplicações clínicas. A cintilografia miocárdica com 123I-mIBG desempenha papel importante na avaliação de insuficiência cardíaca crônica (ICC) ao estratificar o risco de pacientes para eventos cardíacos. A mIBG, um análogo da norepinefrina (NE), pode ser utilizada para avaliar a atividade simpática cardíaca ao se analisar a diminuição da expressão do adrenorreceptor (AR) β na ICC. Além disso, a cintilografia miocárdica com 123I-mIBG em combinação com outros parâmetros de função ventricular esquerda pode ser usada para identificar o melhor respondedor a dispositivos cardíacos implantáveis, assim como avaliar cardiotoxicidade oncológica. Ainda que útil, a cintilografia miocárdica com 123I-mIBG não é amplamente realizada devido à falta de padronização entre as diferentes instituições. Portanto, sua padronização e validação podem contribuir para sua aceitação na prática clínica.

Palavras-chave: Insuficiência Cardíaca, Miocárdio/diagnóstico por imagem, Cintilografia, 3-Iodobenzilguanidina, Sistema Nervoso Simpático.

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PONTO DE VISTA

Dança, Insuficiência Cardíaca e Função Erétil: Perspectiva de Melhor Manejo Clínico?
Dance, Heart Failure and Erectile Function: Perspective of Better Clinical Management?

Tales de Carvalho, Ana Inês Gonzáles, Daiane Pereira Lima, Adair Roberto Soares dos Santos
International Journal of Cardiovascular Sciences. 2017;30(6)542-544

+   Resumo  
Na fisiopatologia da Insuficiência Cardíaca (IC) tem-se dado destaque à hiperatividade simpática e à inflamação sistêmica de baixa intensidade, aspectos também presentes na disfunção erétil (DE). O exercício físico constitui-se estratégia que proporciona melhora desses parâmetros sendo plausível a hipótese de que quando exercido por meio da dança proporcionaria melhores resultados. Ao unir atividade física e música, a dança seria capaz, dentre outros mecanismos favoráveis, aprimorar o funcionamento das redes neurais centrais e periféricas, contribuindo para o restabelecimento da normalidade da função neuro-hormonal e redução da resposta inflamatória, o que aumentaria a eficácia do tratamento tanto da IC quanto da DE.

Palavras-chave: Insuficiência Cardíaca / fisiopatologia, Exercício Aeróbico, Dança, Sistema Nervoso Autônomo, Inflamação.

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RELATOS DE CASOS

Taquicardiomiopatia e Oxigenação Extracorpórea por Membrana: a Propósito de um Caso
Tachycardiomyopathy and Extracorporeal Membrane Oxygenation: A Case Report

Joana Malheiro, João Almeida, Daniel Caeiro, Adelaide Dias, Marlene Fonseca, Vasco Gama
International Journal of Cardiovascular Sciences. 2017;30(6)545-549

+   Introdução  
A Taquicardiomiopatia (TCM) é uma causa rara, mas potencialmente reversível, de miocardiopatia e choque cardiogênico. É definida por disfunção sistólica global do ventrículo esquerdo secundária a uma taquiarritmia persistente, com recuperação parcial (em doentes com cardiopatia estrutural prévia) ou total (em doentes sem doença estrutural prévia), após normalização do ritmo cardíaco.1 A arritmia mais comumente implicada é a fibrilação auricular. As alterações hemodinâmicas que caracterizam o doente com TCM incluem: aumento dos volumes telediastólico e telessistólico ventriculares, hipocinesia global, aumento das pressões de enchimento ventricular e da artéria pulmonar, e, por fim, diminuição da Fração de Ejeção (FE).1,2 Manifesta-se clinicamente por um quadro de insuficiência cardíaca congestiva, podendo, em alguns casos, evoluir para choque cardiogênico. Não existem métodos específicos para identificar a presença de TCM. Normalmente, o diagnóstico é feito retrospectivamente com normalização ou a melhoria da disfunção ventricular esquerda, por meio da reversão ou do controle da taquiarritmia. As complicações mais frequentes da TCM são eventos embólicos, complicações pela evolução da gravidade da arritmia com degeneração para Taquicardia Ventricular (TV)/ Fibrilação Ventricular (FV) e choque cardiogênico.3 O tratamento inclui medidas de suporte hemodinâmico, controle de frequência e reversão a ritmo sinusal, quando possível.2 A Oxigenação por Membrana Extracorpórea (ECMO) é um dispositivo mecânico, que permite garantir a oxigenação sanguínea e a perfusão de órgãos nobres, por períodos prolongados de tempo, em doentes com falência pulmonar e/ou cardíaca.4 A utilização deste dispositivo permite manter o doente vivo e hemodinamicamente estável, servindo como ponte para uma eventual recuperação, para transplante, para tomada de decisão ou até como "ponte para outra ponte" (por exemplo, como ponte para LVAD como terapêutica de destino). No choque cardiogênico de etiologia potencialmente reversível, esta medida pode ser lifesaving, uma vez que assume temporariamente a função cardíaca, durante a fase refratária, intrínseca e reversível do choque cardiogênico, até sua recuperação, minimizando o esforço miocárdico, melhorando a perfusão de órgãos e preservando a função renal.4 Os autores descrevem um caso de uma doente com choque cardiogênico secundário à TCM em que o uso de ECMO foi preponderante para sua evolução.

Palavras-chave: Cardiomiopatias, Taquicardia, Choque Cardiogênico, Oxigenação por Membrana Extracorpórea, Fibrilação Atrial.

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Hipercolesterolemia Familiar: a Importância do Diagnóstico e Tratamento Precoces
Familial Hypercholesterolemia: the Importance of Early Diagnosis and Management

Ana Flavia Cassini Cunha e Iliana Ribeiro
International Journal of Cardiovascular Sciences. 2017;30(6)550-553

+   Introdução  
A Hipercolesterolemia Familiar (HF) é uma doença hereditária autossômica dominante, sendo uma doença genética do metabolismo das lipoproteínas, principalmente por defeito do gene LDLR que codifica o receptor de LDL.1-4 O diagnóstico é estabelecido por critérios clínicos e laboratoriais devendo sempre ser hipótese diagnóstica em pacientes com níveis de colesterol da lipoproteína de baixa densidade (LDLc) superiores a 190mg/dL; e pode ser confirmado por testes genéticos que determinam a mutação.1,2 Alguns critérios diagnósticos têm sido propostos na tentativa de uniformizar e formalizar o diagnóstico de HF, como por exemplo, os da Dutch Lipid Clinic Network (Dutch MEDPED).1
Neste calcula-se uma pontuação para o paciente baseado em dados de anamnese e exames físico e laboratoriais tais como taxas elevadas de LDLc; características como xantomas tendinosos e arco corneano; história clínica e familiar de hipercolesterolemia e/ou doença arterial coronariana precoce (homem < 55 anos e mulher < 60 anos) e identificação de mutações genéticas.1,3 A pontuação determina a probabilidade de um Diagnóstico HF como HF possível, provável ou definitivo.1 A mutação mais comum relacionada à HF está no gene que codifica o receptor da LDL, resultando em receptores de LDL com reduções funcionais em sua capacidade de remover LDLc da circulação.3 Existem dois fenótipos distintos: a forma homozigótica, onde são herdados dois genes defeituosos e os receptores de LDL não tem funcionalidade; forma rara, 1 em 1 milhão de indivíduos e observam-se níveis de LDLc > 650 mg/dL; e a forma heterozigótica, onde um gene defeituoso para o receptor de LDL é herdado de um dos pais e um gene normal, do outro.1 A ausência de um gene funcional causa aumento no nível plasmático de LDLc; forma mais frequente, acomete 1 em 500 indivíduos com níveis de LDLc >200mg/dL.1 A forma homozigótica tende a apresentar acometimento cardiovascular já na infância.1 A mutação também pode ser secundária a defeitos no gene APOB que codifica a apolipoproteína B100, ou por mutações com ganho de função no gene pró‑proteína convertase subutilisina/kexina tipo 9 (PCSK‑9)1,3,4 Nos pacientes com HF heterozigótica as partículas de LDL circulam por mais tempo, estando mais sujeitas a oxidação e transformações químicas que resultam na alta captação de LDL modificado por macrófagos, deflagrando mecanismos pró-aterogênicos, tendo como consequência aterosclerose, doença arterial coronariana e doença arterial periférica.1 As terapias nutricionais, medicamentosa e exercícios físicos regulares auxiliam no controle dos níveis de LDL e prevenção de doença cardiovascular.1-3 Recomenda-se diminuição da ingestão de alimentos ricos em colesterol e ácidos graxos saturados.1-3 A terapia farmacológica é feita com estatinas de alta potência, como Atorvastatina (10-80mg) e Rosuvastatina (10-40 mg), visando obter redução maior que 50% do nível basal.1 Em pacientes intolerantes a estatina poderá ser feito terapia com outros hipolipemiantes, como ezetimiba, niacina ou colestiramina; as quais também poderão ser combinadas entre si, em pacientes maus respondedores a terapia isolada com estatinas.1,3 A terapia medicamentosa deverá ser prescrita individualmente e ser mantida em longo prazo, com seguimento médico regular, com avaliação de enzimas hepáticas (TGO/TGP) e musculares (CPK).1,2 É recomendado rastreio com perfil lipídico em todos os indivíduos acima de 10 anos de idade e em todos os parentes de primeiro grau dos indivíduos diagnosticados como portadores de HF.1 Na presença de fatores de risco, sinais clínicos de HF ou doença aterosclerótica, o perfil lipídico deve ser considerado a partir de 02 anos de idade.1
Neste relato, descreve-se o caso de paciente na quarta década de vida com Hipercolesterolemia Familiar, que foi submetida a tratamento, com êxito, com estatina de alta potência.

Palavras-chave: Doença Arterial Periférica, Aterosclerose, Indice Tornozelo-Braço, Hipercolesterolemia Tipo II.

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