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ISSN (Impressa): 2359-4802 | ISSN (Online): 2359-5647




Edição: 24.1 - 11 Artigo(s)

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ARTIGO DE REVISÃO

Canais iônicos de potássio associados à síndrome do QT longo adquirido
Potassium ion channels associated with acquired long QT syndrome

Alex Souto Maior1; Paulo Roberto Benchimol Barbosa2; Octavio Barbosa Neto3; Gustavo Ribeiro da Mota3; Moacir Marocolo Júnior3

1. Universidade Castelo Branco - Departamento de Fisiologia - Rio de Janeiro, RJ - Brasil
2. Instituto Nacional de Cardiologia (INC/MS) - Rio de Janeiro, RJ - Brasil
3. Departamento de Ciências do Esporte - Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) - Uberaba, MG - Brasil

Endereço para correspondência

Moacir Marocolo Júnior
Universidade Federal do Triângulo Mineiro - Departamento de Ciências do Esporte
Av. Frei Paulino, 30 - Abadia
38025-180 - Uberaba, MG - Brasil
E-mail: isamjf@gmail.com

Recebido em 26/11/2010
Aceito em 12/02/2011

Resumo

Intervalo QT é um parâmetro mensurado pelo eletrocardiograma de superfície que corresponde ao período que vai desde o início da despolarização até o final da repolarização ventricular. Devido à dependência da frequência cardíaca instantânea, o intervalo QT é corrigido pela frequência cardíaca. O intervalo QT corrigido é então empregado na prática clínica, por meio de valores de normalidade. Valores superiores aos recomendados pela literatura revelam o prolongamento significativo do intervalo QT - a síndrome do QT longo - uma desordem da condução elétrica do miocárdio que altera a repolarização ventricular e, consequentemente, aumenta a vulnerabilidade para o desenvolvimento de taquiarritmias ventriculares do tipo torsades de pointes e morte súbita. Esta síndrome pode apresentar origem congênita ou adquirida, com alterações nas propriedades dos canais iônicos de potássio, seja na sua cinética de ativação e inativação seja na densidade da corrente iônica ou mesmo em sua estrutura, resultando no prolongamento do tempo de repolarização ventricular. Assim, o objetivo deste trabalho foi revisar a literatura quanto à descrição ou à caracterização eletrofisiológica dos canais de potássio, em condições normais e relacionadas à síndrome do QT longo.

Palavras-chave: Canais de potássio; Síndrome do QT longo; Arritmias cardíacas /diagnóstico; Função ventricular/fisiologia; Ventrículos do coração/fisiopatologia

 

INTRODUÇÃO

Intervalo QT é a medida comumente empregada na prática clínica que corresponde ao período que vai desde o início da despolarização até o final da repolarização ventricular1. A duração dessa variável eletrofisiológica cardíaca, pela avaliação do eletrocardiograma (ECG), é verificada a partir do intervalo de tempo entre a deflexão inicial do complexo QRS e o final da onda T - definida pelo ponto de convergência entre a tangente que passa pela porção mais íngreme da fase final da onda T e a reta que passa pela linha de base1,2.

Entretanto, o intervalo QT varia de acordo com a frequência cardíaca instantânea e, para uniformizar medidas, foi proposta a normalização por Bazett3 na década de 19301-3. A equação de Bazett calcula o intervalo QT corrigido (QTc), definida por QTc=QT/√R-R1-4. O limite superior da duração do intervalo QTc normal é de 440ms e 460ms, respectivamente, para homens e mulheres2,5,6. Contudo, valores superiores aos recomendados pela literatura revelam o prolongamento significativo do intervalo QT (síndrome do QT longo).

A síndrome do QT longo (SQTL) é uma desordem da condução elétrica do miocárdio que altera a repolarização ventricular e, consequentemente, aumenta a vulnerabilidade para o desenvolvimento de taquiarritmias ventriculares do tipo torsades de pointes (TdP) e morte súbita6,7. Esta síndrome pode apresentar origem congênita, quando ocorrem anormalidades nos canais iônicos de sódio e potássio das células miocárdicas8, ou adquirida devido ao uso de medicações, anormalidades elétricas ou distúrbios metabólicos9. Entretanto, o princípio eletrofisiológico para o prolongamento significativo do potencial de ação cardíaco está associado a menor densidade da corrente de saída de potássio ou aumento da densidade da corrente de entrada de sódio ou cálcio9.

O objetivo deste trabalho foi revisar a literatura quanto à descrição ou à caracterização eletrofisiológica dos canais de potássio, em condições normais e relacionadas à SQTL.

 

ESTRUTURA DOS CANAIS DE POTÁSSIO (IK)

Os canais de potássio são a maior e mais complexa família de canais de iônicos, representada por pelo menos 70 locus do genoma humano10. Esses canais são constituídos por seis segmentos hidrofóbicos em α-hélice (S1-S6) e interligados por alças intra e extracelulares (Figura 1). As alças interligam os domínios nas extremidades N-terminal (grupo amino) e C-terminal (grupo carboxílico), sendo o N-terminal a proteína especifica para inativação do poro11,12. A subunidade α é constituída de quatro domínios homólogos que se associam (associação tetramérica) para formar o IK dependente de voltagem13. Os quatro domínios se dobram para formar o poro central, são coligados a diferentes subunidades β e a parede interna é revestida pelos segmentos transmembrana S5 e S611-13. A alça P que interliga os segmentos S5 e S6 forma o poro do canal que funciona como filtro de seletividade iônica10 (Figura 1). O segmento S4 apresenta uma sequência de aminoácidos carregados positivamente (arginina e lisina) que estão localizados a cada três aminoácidos no segmento, e atuam como sensor de voltagem11,13.

 


Figura 1 Esquema biofísico dos canais de K+ (IK). Adaptada de Zipes e Jalife14; e de Pourrier et al.15

 

A literatura revela a participação de nove subfamílias das subunidades α dos canais de potássio dependente de voltagem, sendo Kv1-Kv4 como subunidades dependentes de voltagens e Kv5-Kv9 como subunidades com baixa atividade elétrica8,10. Contudo, as propriedades das subunidades α dos IK dependentes de voltagem podem ser modificadas por associação com diferentes subunidades β para definir a regulação do canal11,12.

 

CORRENTE DE POTÁSSIO DE RETIFICAÇÃO RETARDADA DO TIPO LENTA (Iks) E SQTL

A estrutura da sequência primária do gene KCNQ do canal de K+ apresenta topologia de membrana similar com o IK, contudo apresenta ausência do domínio de tetramerização; consequentemente, perde a mediação entre as subunidades e as regiões específicas das famílias de canais de potássio12-16.

O gene KCNQ gera canais funcionais por interação com subunidades adicionais (KCNQ1) ou através da associação heterométrica (KCNQ2 e KCNQ3). O gene KCNQ1 é responsável pela formação de quatro subunidades α, sendo KvLQT1 sua principal subunidade12,16. O gene KCNE1 é formado por uma longa cadeia de 130 aminoácidos e responsável pela formação de uma subunidade β, sendo minK sua principal subunidade12,17. O gene KCNQ1 é formado por uma longa cadeia de 676 aminoácidos sendo mapeado por 11 cromossomos8,10,18. Ele codifica a principal subunidade do Iks cardíaco (KvLQT1) que transporta os íons positivos para fora da célula e normaliza o período de repolarização do potencial de ação ventricular18.

Entretanto, quando KCNQ1 é expresso heterogeneamente, a densidade das correntes de saída de K+ dependentes de voltagem é aumentada. Estas apresentam diferentes propriedades em Iks, ou seja, a coexpressão das subunidades minK e KvLQT1 nos canais de Iks revela uma condução iônica heterométrica que contribui para a formação de poro, reconstituição de Iks e correntes repolarizantes maiores e mais lentas (Figura 2)8. Assim, durante o potencial de ação cardíaco a Iks aumenta sua condutância gradualmente na fase 2 e permanece ativada durante a fase 3 da repolarização. Resumidamente, essa corrente se caracteriza por uma ativação, retificação de efluxo, ausência de inativação e desativação bastante lenta13.

 


Figura 2 Densidade das correntes de Iks a partir da expressão de KvLQT1, de minK e de KvLQT1 e mink a partir de pulsos despolarizantes de -60mV a +20mV com fixação de voltagem em -80mV. Adaptado de Ashcroft11

 

Os estudos eletrofisiológicos descrevem que a SQTL adquirida é potencializada pela utilização de diversas drogas (Quadro 1) e também por algumas condições metabólicas16,19,20. Na síndrome do intervalo QT longo tipo 1 (LQT1) adquirida ocorre a redução da densidade da corrente de Iks pela alteração do gene KCNQ1 (subunidade KvLQT1) no cromossomo 11/posição15.516,21. Entretanto, na síndrome de Jervall-Lange-Nielsen (JLN) o paciente sofre de surdez bilateral congênita que está associada ao prolongamento do intervalo QT (LQT5 - congênito) por alteração no gene KCNE1 (subunidade minK) no cromossomo 21q2222. Essas alterações nos genes específicos do canal são fatores determinantes para redução da densidade da corrente de efluxo de potássio e, consequentemente, promove o prolongamento do intervalo QTc e o desenvolvimento de taquicardias polimórficas ventriculares (TdP)6,9,22.

 

 

Drogas classificadas como antiarrítmicas de classe III são caracterizadas como bloqueadores de canais de K+. A indapamida é um poderoso diurético e não está classificada como um dos fármacos que bloqueiam os canais de K+, entretanto pode ser considerada um bloqueador de Iks. No estudo de Turgeon et al.23 que avaliou o perfil das correntes de Iks e Ikr (corrente de potássio de retificação retardada do tipo rápida) em ventrículo de cardiomiócito de cobaias tratadas com concentrações de 100µmol/L de indapamida, verificou-se redução da densidade das correntes de Iks. Os resultados verificaram que constantes de tempo de ativação longos (5000ms) e constantes de tempo de ativação curtos (225ms), a partir de pulsos despolarizantes de 50mV e pulsos repolarizantes de -30mV com manutenção do potencial em -40mV, apresentam redução da densidade de corrente de Iks quando comparados com as correntes de Ikr23.

A redução da densidade de correntes de Iks a partir de bloqueios farmacológicos é mais significativa nos ventrículos cardíacos, sendo associada ao prolongamento do intervalo QT e TdP24. Em estudo com células de ventrículo esquerdo de cães tratados com dofetil (5nmol/L) observou-se redução na densidade da corrente de Ikr e aumento da densidade da corrente de Iks25. Neste estudo, os pesquisadores verificaram um mecanismo de feedback entre os canais de K+ (Iks e Ikr), ou seja, com a inibição farmacológica de Ikr ocorreu um aumento da expressão das subunidades proteicas KvLQT1, associado à maior condutância em Iks (Figuras 3B e 3C)25. Em relação ao perfil farmacológico, observou-se que 1µM de benzodiazepina proporciona aumento significativo da densidade de Iks em cardiomiócitos de coelho26. Entretanto, em estudos com camundongos deficientes para KvLQT1 e tratados com dofetil não se verificou mecanismo de feedback entre as correntes de Iks e Ikr quando comparados com camundongos wild type27. Os resultados dos estudos mostram que esse mecanismo de feedback entre as correntes de Iks e Ikr pode ser uma intervenção significativa para a normalização do intervalo QT.

 


Figura 3 Densidade das correntes de Iks e Ikr com diferentes fármacos. Em A: perfil da corrente de Iks com a utilização de isoproterenol a partir de pulsos despolarizantes de 60mV com fixação de voltagem em -40mV. Em B: perfil da corrente de Iks a partir de pulsos despolarizantes para 40mV por 4 segundos e pulsos repolarizantes para -40mV por 2 segundos com fixação de corrente em -50mV. Em C: perfil da corrente de Ikr a partir de pulsos despolarizantes para 10mV por 1 segundo e pulsos repolarizantes para -30mV por 2 segundos com fixação de corrente em -70mV. CTL= controle; Dof=Dofetil. Adaptado de Marx et al.28 e Xiao et al.25

 

A atividade aumentada de proteína quinase A (PKA), a partir do acoplamento de adrenalina aos receptores β-adrenérgicos, promove fosforilação de KCNQ1 na serina 27 e aumenta a densidade da corrente de Iks quando essas correntes se apresentam bloqueadas por cromanol 293B28,29. O bloqueador de Iks, cromanol 293B, é um dos agentes farmacológicos que promove o prolongamento do intervalo QT sem aumentar a TdP. Contudo, além da atividade da PKA no aumento da densidade da corrente de Iks, é importante afirmar que a utilização de nicorandil (dose-dependente de 5µM, 10µM e 30µM) promove redução significativa do potencial de ação cardíaco de cobaias bloqueadas por cromanol 293B30.

É importante comentar que a coexpressão de KCNQ1 e KCNE1 na presença de PKA promove aumento da densidade da corrente de Iks quando comparada somente com a expressão de KCNQ1 (Figura 3A)31. Essa interação da atividade da PKA com as correntes de Iks favorece a inibição da atividade da quinidina no bloqueio dessas correntes.

Essa afirmação foi confirmada pela fosforilação da subunidade KvLOT1 promovida por PKA em células CHO (célula de ovário de hamster chinês) a partir de pulsos despolarizantes de 60mV por 5 segundos e pulsos repolarizantes de -40mV por 5 segundos com fixação de corrente em -80mV29.

Entretanto, recente relato comenta que a participação de PKA na fosforilação da subunidade KvLOT1 promove a desestabilidade da interação entre a droga e o canal iônico de potássio32. Este fato pode estar relacionado pelo N-terminal na serina 27 e o C-terminal na serina 468 e tirosina 470 apresentarem sítios de ligação para PKA32. Assim, as correntes de Iks desempenham papel específico na fase de repolarização ventricular pela habilidade de equilibrar os efeitos despolarizantes do Ca2+ tipo L durante a estimulação simpática cardíaca32,33.

 

CORRENTE DE POTÁSSIO DE RETIFICAÇÃO RETARDADA DO TIPO RÁPIDA (Ikr) E SQTL

A estrutura da sequência primária do gene KCNH2 apresenta topologia de membrana similar com o IK. O gene KCNH2 é responsável pela formação de quatro subunidades α, sendo a proteína HERG sua principal subunidade com o objetivo de normalizar a atividade elétrica cardíaca em humanos11,34. O gene KCNE2 é responsável pela formação da subunidade β, sendo a proteína MiRP1 sua principal subunidade11,35. O Ikr é mais expresso em miócitos atriais esquerdos quando comparados com o átrio direito; consequentemente, o potencial de ação do átrio esquerdo torna-se mais curto13. Nos ventrículos, Ikr apresenta maior expressão nos miócitos epicardiais e apicais, consistente com potenciais de ação mais curtos nessas regiões13. Resumidamente, essa corrente apresenta rápida ativação em relação às correntes de Iks, retificação de influxo e inativação acelerada (Figura 4A)8.

 


Figura 4 Densidade das correntes de Ikr a partir da expressão de HERG e a coexpressão de HERG e MiRP1. Em A: perfil da corrente de HERG em oócitos de Xenopus a partir de pulsos despolarizantes para 10mV por 1,2 segundos de -40mV a 60mV e pulsos repolarizantes para -40mV com fixação de corrente em -80mV. Em B: pulsos despolarizantes de até 10mV; após esses valores, ocorre queda significativa. Em C: coexpressão HERG e MiRP1 em que MiRP1 proporciona redução na amplitude da corrente de HERG a partir de pulsos despolarizantes para 20mV por 3 segundos de -60mV a 40mV e pulsos repolarizantes para -100mV com fixação de corrente em -80mV. Adaptado de Lin et al.39; Sanguinetti et al.19; Abbott e Goldstein35

 

A amplitude das correntes Ikr a partir da subunidade α (HERG) aumenta com pulsos despolarizantes de até 10mV e após esses valores ocorre queda significativa, possivelmente por essas correntes apresentarem uma ativação lenta (entre 50ms e 300ms) e rápida inativação (Figura 4B)19. Assim, Ikr apresenta condutância baixa na fase 2 do potencial de ação com aumento significativo na fase 3 da repolarização8, 10. A rápida inativação do poro de Ikr na subunidade HERG ocorre pela ação do C-terminal pela utilização de 236 ou 278 resíduos de aminoácidos36. Além disso, MiRP1, durante a coexpressão HERG e MiRP1, proporciona redução na amplitude da corrente de HERG por promover hiperpolarização a partir do aumento da atividade do AMPc (Figura 4C)37. Nesse caso, o AMPc se liga diretamente com o domínio do nucleotídeo cíclico e proporciona a fosforilação do canal37. Contudo, a coexpressão MiRP1 e HERG é necessária para a reconstrução do canal de Ikr35. A utilização de agentes farmacológicos altera a dependência de voltagem e a cinética de desativação das correntes de Ikr mesmo com a coexpressão de HERG e MiRP138.

A LQT2 congênita é caracterizada pela redução da densidade da Ikr a partir da mutação da subunidade HERG no cromossomo 7q35 que codifica a subunidade α9,19. Por outro lado, a LQT2 adquirida está relacionada a agentes farmacológicos (antiarrítmicos de classe III) que favorecem o bloqueio das correntes de Ikr via subunidade HERG9,22,34, proporcionando eventos de reentrada, dispersão da repolarização ventricular e desenvolvimento de TdP1,2,9,22. Na literatura científica foi comprovado o efeito bloqueador de Ikr pela amiodarona39, dofetil25, quinidina40, sotalol39, disopiramida41, entre outros. Contudo, outros agentes farmacológicos como flecainida40, eritromicina42, terfenadina43 e cetoconazol44 favorecem o bloqueio da corrente de Ikr. A LQT2 adquirida com redução na expressão de HERG está relacionada a dois fatores: 1. alteração em dois aminoácidos aromáticos (tirosina na posição 652 e fenilalanina na posição 656) que selecionam as substâncias permeáveis ao poro; 2. ausência de um par de resíduos de prolina no S6 que promove bloqueio por diversas drogas9. Além disso, a substituição de glicina pela serina na posição 638 provoca perda de função e altera a sensibilidade ao K+, sendo um fator para o desencadeamento de arritmias cardíacas45.

A flecainida é um agente farmacológico do grupo dos antiarrítmicos da classe Ic, utilizado para suprimir contrações ventriculares prematuras40. Além disso, a literatura revela que esse fármaco apresenta baixa incidência de prolongamento do intervalo QT e de desenvolvimento de TdP46. Entretanto, estudos realizados com células HEK293, miócitos de cobaia e miócitos de gatos tratados com flecainida (entre 3µM e 10µM) revelaram redução significativa da relação corrente-voltagem e na condutância do canal quando comparados com células-controle (Figura 5A)40,47. Entretanto, a administração de baixas doses de flecainida (0,28±0,08mg/L) em pacientes portadores de LQT3 (gene SCN5A) normalizam a repolarização ventricular48.

 


Figura 5 Perfil das correntes de Ikr de acordo com diferentes agentes farmacológicos. Em A: relação corrente-voltagem a partir de pulsos entre -30mV e 40mV para corrente controle vs. flecainida. Em B: perfil das correntes tratadas com eritromicina (distintas doses) vs. controle a partir de pulsos despolarizantes para 10mV por 5 segundos e pulsos repolarizantes para -40mV (5 segundos) com fixação de corrente em -80mV. Em C: perfil das correntes HERG tratadas com terfenadina vs. controle a partir de pulsos despolarizantes para 10mV por 4 segundos e pulsos repolarizantes para -40mV (4 segundos) com fixação de corrente em -75mV. Em D: perfil das correntes tratadas com cetoconazol vs. controle a partir de pulsos despolarizantes de -70mV a 60mV (de 10mV em 10mV) por 4 segundos e pulsos repolarizantes para -50mV por 6 segundos com fixação de corrente em -80mV e intervalo entre os pulsos de 15 segundos. Adaptado de Paul et al.40; Stanat et al.49; Crumb Jr.53; Takemasa et al.44

 

Alguns antibacterianos, como a eritromicina, são considerados potentes bloqueadores de correntes de Ikr, porém doses >20mg/L proporcionam aumento do potencial de ação cardíaco e doses entre 100mg/L e 200mg/L induzem a reentrada na fase 2 e 3 do potencial de ação cardíaco com tendências pró-arrítmicas42. Prévios estudos comentam que concentrações >100µM de eritromicina prolongam o potencial de ação em células HEK293 e ventrículos caninos por bloqueio seletivo das correntes de Ikr (Figura 5B)49,50. A utilização de voltagens positivas (>0mV) se mostra eficiente para bloquear as correntes de HERG, com a administração de eritromicina, quando comparada com voltagens negativas (-20mV ou -30mV)49. Entretanto, a administração de 25µM apresenta menor eficiência em bloquear esses canais quando comparada com 250µM (Figura 5B)49. A eritromicina tem efeito sinergista no prolongamento do intervalo QT e pode induzir ao desenvolvimento de TdP quando coadministrada com outras drogas (quinidina, cisaprina e terfenadina) que induzem o prolongamento do intervalo QT51,52.

A terfenadina é um antagonista seletivo dos receptores H1 de histamina que favorece o prolongamento do potencial de ação cardíaco (intervalo QT longo) associado a eventos arrítmicos cardíacos e desenvolvimento de TdP43,53. Esse perfil arrítmico proporcionado por esse agente farmacológico foi verificado em correntes HERG de células HEK293 após a administração de 204nM de terfenadina com frequência de pulso (pacing rate) de 0,1Hz (Figura 5C)53. Entretanto, a terfenadina não apresentou bloqueio significativo com frequências de pulso de 0,1Hz a 3Hz53. Sobretudo, a recuperação do bloqueio dos canais de HERG, por terfenadina, pode ocorrer rapidamente quando esses canais apresentam uma mutação específica (D540K) que permite a reabertura do poro em resposta à hiperpolarização da membrana54. Esse resultado foi obtido a partir de pulsos despolarizantes para 0mV, 20 pulsos despolarizantes para 0mV e 20 pulsos hiperpolarizantes para -140mV; todos os pulsos ocorreram durante 5 segundos com intervalo de 15 segundos sobre a administração de 3µM de terfenadina54. Possivelmente, por esses fatores, este fármaco teve sua distribuição interrompida no ano de 1998.

O cetoconazol é um agente antifúngico imidazólico, membro da família conazol, que promove a inibição da enzima C-14 α demetilase (conversora de lanosterol em ergosterol)55. Este agente farmacológico está associado ao prolongamento do potencial de ação cardíaco a partir da redução da quantidade de proteínas e da densidade do canal de HERG (Figura 5D)44,55. A literatura científica demonstra que o bloqueio de 50% das correntes de HERG é obtido com a administração de cetoconazol a partir de doses-dependentes entre 49µM e 107µMF5. Essas concentrações promovem em oócitos de Xenopus o prolongamento de 5,1% no potencial de ação cardíaco. Contudo, a coadministração de cetoconazol e terfenadina promove o prolongamento de 9,5% no potencial de ação cardíaco55. Essa coadministração é um potencializador para o desenvolvimento da SQTL adquirido e TdP55,56. Em estudo mais recente, o bloqueio das correntes de HERG foi observado com a administração de 40µM de cetoconazol em células HEK29344. Observou-se ainda que o bloqueio das correntes de HERG nas células HEK293 ocorreu pela ligação do cetoconazol aos aminoácidos (Y652 e F656) ao segmento S6 do canal de HERG44. Em humanos parece que o tratamento antifúngico com 1g de cetoconazol em indivíduos com histórico de doença coronariana potencializa o prolongamento do intervalo QT (408ms antes e após a administração de 1g de cetoconazol=580ms; valores mensurados na derivação DII) e desenvolvimento de TdP57.

Outro fator importante é o aumento da expressão de HERG a partir do aumento das concentrações de K+ extracelular (valores de K+ entre 1mM e 20mM) pela força motriz do movimento de efluxo11. O bloqueio da corrente de Ikr em oócitos de Xenopus por azimilida, quinidina, sotalol e dofetil foi diminuído a partir das concentrações entre 5mmol/l e 10mmol/l de K+ extracelular, porém o bloqueio da corrente com amiodarona não apresentou mudanças com as concentrações de K+39. Entretanto, baixas concentrações de K+ extracelular proporcionam redução da densidade das correntes de Ikr9. Assim, especula-se que a administração de diuréticos cronicamente reduz as concentrações de K+ extracelular potencializando o desenvolvimento da LQT2 adquirida58. Porém, a administração oral de 1,5mEq/L de K+ em pacientes portadores de LQT2 reduz o intervalo QTc em 24% e normaliza a morfologia da onda T59.

 

CONCLUSÃO

Descreveu-se no presente estudo a magnitude dos canais de potássio de retificação retardada do tipo rápido e lento, na fase de repolarização do potencial de ação cardíaco. Nesse contexto, a heterogenidade eletrofisiológica pode ser considerada como importante característica miocárdica na determinação de mecanismos de arritmogênicos e na relação dose-resposta na terapia com drogas antiarrítmicas.

Além disso, dados da literatura mostram que a administração de algumas drogas antiarrítmicas, antifúngicas, antibacterianas e anti-histamínicas podem reduzir a densidade das correntes de saída desses canais e potencializar o prolongamento do intervalo QT e o desenvolvimento de TdP.

Potencial Conflito de Interesses

Declaro não haver conflitos de interesses pertinentes.

Fontes de Financiamento

O presente estudo não teve fontes de financiamento externas.

Vinculação Universitária

O presente estudo não está vinculado a qualquer programa de pós-graduação.

 

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